O Dia Internacional da Mulher de 2017 tem um sabor especial para o futebol brasileiro. Este é o primeiro 8 de março da história em que uma mulher está no comando técnico da Seleção Feminina. A data que nasceu da luta das mulheres por melhores condições de trabalho é comemorada, este ano, com a treinadora Emily Lima ocupando um dos cargos mais relevantes do nosso futebol.

– É um sentimento difícil de explicar. Estar no comando da Seleção, no Dia Internacional da Mulher, é uma honra tremenda. Vejo que o respeito pelas mulheres está sendo valorizado, num momento tão especial como esse – afirmou Emily.

Nestes cinco meses à frente de Seleção Brasileira Feminina, comandou períodos intensivos de treinamentos na Granja Comary e foi campeã do Torneio Internacional de Manaus (AM), com 100% de aproveitamento em quatro partidas. Ela sabe que alcançar as conquistas desejadas é um enorme desafio. Mas quem disse que seria fácil chegar até o momento atual?

– Muitas mulheres estão em cargos que a sociedade não acreditava que fosse possível. Estamos aí, dando os nossos passinhos, mas são passos firmes e fortes – disse.

Emily acredita na vitória da competência sobre qualquer preconceito que possa existir quanto à eficiência profissional das mulheres. No primeiro Dia Internacional como treinadora da Seleção Brasileira, ela envia um recado às guerreiras que lutam por seus objetivos.

– Deixo uma mensagem de acreditar sempre. Nós, mulheres, não temos nenhuma diferença de capacidade em relação aos homens. Por conta do preconceito que existe, nossa capacidade acaba tendo que ser até maior. Precisamos acreditar que somos fortes – ressaltou.

Mais sobre a carreira

A paulistana de 36 anos começou a jogar futebol ainda criança, com o apoio da família. Dona Oneida, Seu Antônio e o irmão Weber sempre foram seus incentivadores. Aos 13 anos, chegou à equipe do Saad Esporte Clube (SP). Passou por São Paulo (SP), São Bernardo (SP), Barra de Teresópolis (RJ) e Veranópolis (RS).

Em 2003, foi convidada a jogar na Espanha, onde atuou por cinco anos, até ir para a Itália. Devido a uma série de lesões no joelho, parou de jogar aos 29 anos. Como atleta, Emily fez parte da primeira Seleção Brasileira Sub-17, em 1997. Na categoria principal, entretanto, jogou como volante da seleção portuguesa de 2007 a 2009.

A primeira experiência fora das quatro linhas foi como supervisora e auxiliar da Portuguesa, em 2010. No ano seguinte, foi convidada pelo Juventus para comandar o time feminino. Em 2012, atuou como treinadora em uma parceria entre o clube e o São Caetano. Estes anos de trabalho a credenciaram a chegar nas categorias de base da Seleção Brasileira. No início de 2013, Emily Lima foi anunciada como a primeira treinadora de uma equipe nacional. Na ocasião, comandou a Sub-17, que se preparava para disputar o Sul-Americano da categoria.

Em 2014, passou a se dedicar, exclusivamente, à equipe de São José dos Campos, tradicional no futebol feminino. Pela Águia do Vale, foi vice-campeã da Copa do Brasil 2016, conquistou os Jogos Abertos e os Regionais de São Paulo de 2015 e 2016, além do Campeonato Paulista de 2015. Recentemente, Emily fez o Curso Licença B da CBF Academy.