A Copa do Mundo de 2002 teve inúmeros lances marcantes. Quando se fala em cobrança de falta, um dos momentos mais emblemáticos do Mundial da Coréia do Sul e Japão aparece como exemplo de perfeição: o golaço de Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra, há exatos 15 anos, que garantiu a vitória da Seleção Brasileira nas quartas de final da competição. Se o gol tem R10, que na época era R11, como protagonista, Cafu é um coadjuvante de luxo.

Em entrevista ao site da CBF para o especial #Penta15anos, o capitão falou sobre a difícil partida diante dos ingleses e recordou outros momentos da Copa do Mundo de 2002. O ex-camisa 2 da Seleção Brasileira revela que, por seu conhecimento no futebol europeu, deu conselhos sobre o goleiro adversário ao parceiro. Cafu, no entanto, faz questão dar 100% do mérito pelo gol a Ronaldinho Gaúcho.

– O jogo contra a Inglaterra ficou mesmo marcado pelo golaço do Ronaldinho, pelo jeito que foi. Eu falei para ele que o Seaman (goleiro da Inglaterra) vivia adiantado. Quando eu jogava no Zaragoza (da Espanha), o Nayim (meia espanhol) fez um gol nele do meio de campo porque ele estava adiantado. Mas eu só dei um toque no Ronaldo, falando que ele estava sempre adiantado. Mas colocar a bola lá, do jeito que ele colocou, só o Ronaldinho mesmo... Acho que aquele gol deu o pontapé inicial para que a gente pudesse seguir rumo ao título – revela. 

Apesar do golaço de Ronaldinho, o jogo com a Inglaterra não foi nada tranquilo para o Brasil. A Seleção Canarinho saiu atrás no placar, logo aos 22 minutos, e só conseguiu o empate nos acréscimos da etapa inicial. Para muitos, foi o duelo mais difícil daquela Copa. Cafu reconhece as dificuldades impostas pelo bom time inglês e revela o que vem à cabeça quando recorda o confronto. 

– Sem dúvida foi um dos jogos mais difíceis daquela campanha rumo ao pentacampeonato. Marcou muito por termos saído perdendo, pelo gol do Ronaldinho, pela própria expulsão dele... Mas, no final, deu tudo certo. O que eu mais lembro daquele jogo, que não tem como não lembrar, são os gols. A falta do Ronaldinho e o gol do Rivaldo com passe dele. A maneira como ele limpa os zagueiros, tira três da jogada e rola para o Rivaldo, que só chapou a bola no cantinho, como só ele sabe fazer... É inesquecível. São jogadas que marcaram e vão ficar para o resto da vida – acrescenta.

Na condição de capitão da Seleção Brasileira, Cafu teve o privilégio de levantar a taça após a vitória na final com a Alemanha. Entre os maiores da história da Canarinho, sendo o atleta que mais vezes vestiu a Amarelinha na história, o ex-lateral até hoje não esconde a alegria pela glória máxima da carreira.

– A sensação é uma coisa impressionante. Quinze anos depois, quando falam de Seleção Brasileira, de Copa do Mundo, vem na memória como levantei a taça, o 100% Jardim Irene (escrito por ele em sua camisa), o "Regina, eu te amo" (entoado pelo camisa 2 ao levantar o troféu) , foi tudo muito bonito, bem marcante e muito natural. Sou muito feliz e honrado por ter vestido a camisa da Seleção Brasileira e por ter sido o capitão e levantar mais uma taça para a nossa Seleção. É uma sensação de dever cumprido, de patriotismo e de que conseguimos mais uma conquista para o nosso país – finaliza.

O especial #Penta15anos vai relembrar a conquista jogo a jogo na visão de personagens da campanha. A próxima matéria vai ao ar na segunda-feira (26), data do sexto jogo da Seleção Brasileira no Mundial, contra a Turquia, pelas semifinais. Fique ligado!

Veja mais sobre a Série #Penta15anos:

"Titular", Luizão recorda estreia na Copa de 2002
Roberto Carlos detalha golaço contra China em 2002
Edmílson relembra gol contra a Costa Rica na Copa
Marcos: fundamental para a Seleção nas oitavas