"Quinze anos... Passa rápido, heim?! A gente era tão novo!". Como o próprio Kleberson disse ao iniciar a conversa com o site da CBF, o pentacampeonato da Seleção Brasileira faz aniversário nesta sexta-feira (30). Uma década e meia depois, a glória continua bem presente na vida do meia. Uma prova disso é a foto do camisa 15 da Canarinho na Copa do Mundo de 2002 no aplicativo de mensagens WhatsApp, onde aparece a festa do grupo com Cafu levantando a taça. O atleta nem precisou balançar a rede para ser um dos personagens mais lembrados quando se fala daquela campanha e, anos depois, passou a ser chamado de Kleberson Penta.

Na grande decisão com a Alemanha, o meia deu o passe para Rivaldo, que virou corta-luz e acabou sendo assistência para o segundo gol de Ronaldo. Esse, no entanto, não é o lance mais lembrado dele no duelo diante dos alemães. Em entrevista ao site da CBF para a Série #Penta15anos, o atleta descreveu a famosa bola no travessão de Oliver Kahn, aos 44 minutos do primeiro tempo. O craque continua vivendo o lance nos dias de hoje.

– Ficou marcado, né? Talvez, tenha marcado mais por ter batido no travessão do que se fosse gol. Se tivesse entrado, talvez não teria tido tanto impacto. O Ronaldo fez dois e a bola na trave é quase tão lembrada quanto. Até hoje, me dão os parabéns pelo título e falam que nunca vão esquecer aquele lance. Eu vejo o lance de vez em quando e boto em câmera lenta, vejo a bola indo devagar, bem devagarzinho, até bater na trave – destaca.

Quando chegou ao Flamengo, em 2007, foi que o meia passou a ser chamado de "Penta". Para Kleberson, é uma grande alegria ser conhecido por tal alcunha. O meia descreve a assistência para Ronaldo na grande decisão e afirma que este gol é um retrato da união daquele grupo.

– O Cafu disparou como um raio, como eu jogava no meio, trouxe para dentro e ele passou gritando. Eu tive que buscar a decisão naquela hora. Vi o Rivaldo entrando e pensei rápido, passando para o Rivaldo. Aí vi que o Ronaldo estava na mesma linha. O Rivaldo viu que ele estava logo atrás e fez o corta-luz. O Ronaldo, desde quando eu recebi, lá no início, já pedia a bola. Foi uma bela jogada. Último gol, do título, e foi ótimo ter sido uma jogada de conjunto. Era a característica da Família Scolari – afirma. 

Após grande atuação no duro jogo contra a Bélgica, quando deu assistência para Ronaldo balançar a rede, Kleberson ganhou a vaga de titular e não saiu mais do time até o final da Copa do Mundo. Para muitos, ele foi um dos protagonistas da campanha, fato que o deixa muito orgulhoso. O meia revela um gesto de Felipão que o encheu de confiança antes da final com a Alemanha.

– Não precisei de gol para deixar o meu nome em destaque na Copa. O protagonista sempre é quem faz gols, mas eu consegui, de certa forma, estar entre eles. O Felipão me deixou muito à vontade com a confiança que me passava. Na final, ele me chamou na preleção e disse que os jogadores estariam preocupados em marcar Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho, e que eu ia ter espaço e liberdade para criar. Isso realmente aconteceu e as bolas rápidas chegaram para mim – acrescenta. 

Quinze anos depois, a sensação do título segue bem viva na memória de Kleberson. O meia recorda diversas passagens daquele Mundial da Coreia do Sul e Japão com muita nostalgia. A maior saudade são as histórias do famoso Vampeta.

– Sonho em todo momento, toda hora lembro. Vira e mexe vem na minha memória um flash desse Mundial. Foi muito especial! Direto vejo lances, volto no tempo, lembro das jogadas, dos momentos nossos jantando, o grupo todo, as reuniões, os papos... Sempre lembro. Quando vem algum jogador na TV, vejo o Marcos lembro logo das piadas dele. O Vampeta, só história boa, aquelas parábolas dele... Qualquer momento da Seleção me faz lembrar. É inesquecível – finaliza.

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